Assembleia Legislativa da Bahia fará homenagem póstuma para jornalista Wanda Chase


Homenagem vai acontecer na segunda-feira (7), durante a sessão ordinária da Alba. Wanda Chase morreu na quinta-feira (3), ao passar por uma cirurgia de aneurisma dissecante da aorta, no Hospital Teresa de Lisieux, em Salvador. Wanda Chase morreu na quinta-feira (3), ao passar por uma cirurgia de aneurisma dissecante da aorta
Reprodução/Redes Sociais
A Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) vai fazer, na próxima segunda-feira (7), uma homenagem póstuma para a jornalista Wanda Chase, que morreu na madrugada de quinta-feira (3), ao passar por uma cirurgia de aneurisma dissecante da aorta, no Hospital Teresa de Lisieux, em Salvador.
Inicialmente, a homenagem à comunicadora ia ocorrer no dia 13 de março, através de uma proposição da Bancada do Partido dos Trabalhadores, liderada pela deputada Fátima Nunes.
Neste mesmo dia, Wanda iria receber o Título de Cidadã Baiana, pela Alba. No entanto, a cerimônia foi adiada por causa dos problemas de saúde da jornalista. Em 2002, ela recebeu o Título de Cidadã Soteropolitana concedido pela Câmara Municipal de Salvador.
Wanda Chase será homenageada na sessão ordinária da Assembleia Legislativa.
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Despedida ao som de tambores
Familiares e amigos se despedem da jornalista Wanda Chase
A jornalista e apresentadora Wanda Chase foi velada e cremada, nesta sexta-feira (4), sob forte comoção, em Salvador.
A despedida reuniu familiares, que saíram do Amazonas, terra natal de Wanda, além de amigos e pessoas que admiravam o trabalho da jornalista. A cremação foi restrita à família.
Integrantes de grupos afros compareceram ao velório para homenagear a apresentadora, que ganhou destaque pela militância negra que desenvolvia na Bahia, como as bandas Olodum e Didá e o bloco afro Ilê Aiyê.
Clarindo Silva, Tito Chase, sobrinho de Wanda, Carlinhos Brown e o Vovô do Ilê carregam o caixão com o corpo de Wanda Chase
Alan Oliveira/g1
Antônio Carlos Vovô, popularmente conhecido como “Vovô do Ilê”, presidente do bloco afro Ilê Aiyê, destacou o ativismo de Wanda no movimento negro, em entrevista ao g1.
“A gente vem aqui trazer os tambores, que [ela] sempre foi muito ligada com os tambores dos blocos afro. Sempre divulgou, propagou nossa cultura. Então, com isso que está aqui, representantes de algumas organizações, essa revolução dos tambores para fazer essa última homenagem a ela”, falou Vovô.
Lazinho Araújo, cantor e fundador da banda Olodum, que Wanda foi assessora de comunicação, ressaltou a relação da apresentadora com Salvador, onde ela morava desde 1991.
“Aqui [em Salvador] ela se sentiu acolhida, formou residência e ganhou título de cidadã soteropolitana. Ia ganhar o de baiana, mas soube que o Governo do Estado vai dar os familiares, que eu acho justo, porque é uma forma de agradecer a uma mulher negra, baixinha só no tamanho, mas gigante na consciência e nas ideias”, afirmou Lazinho.
O secretário de Cultura do Estado, Bruno Monteiro, também estava presente. Em entrevista a profissionais da imprensa, ele destacou o trabalho da jornalista para a cultura do estado e contou que conheceu a jornalista no início dos anos 2000, quando vinha à Bahia para curtir o Carnaval.
“Eu via o carinho dos artistas com ela, toda vez que passavam na frente de onde ela estava, fazia uma referência. Depois como jornalista, a conhecer aquela figura e para nós, obviamente, fica um vazio muito grande. Eu falo aqui enquanto jornalista, mas enquanto também secretário de ultura, mas fica também um aprendizado muito grande de dar essa convivência, de ter bebido um pouco na fontes da generosidade de Wanda Chase”, disse o secretário de cultura Bruno Monteiro.
Já Carlinhos Brown, grande amigo de Wanda, destacou o legado que ela deixa para o movimento negro e para a comunicação.
“Ela não apenas avivou para todos o desejo de que nós precisávamos não serem visíveis em uma cidade na qual são os protagonistas, mas ela ativou também um desejo de que a gente podia se unir, de que a cidade podia se unir em torno da cultura baiana”, disse Brown.
A jornalista também foi homenageada pela cantora Claudia Leitte, a deputada estadual Olívia Santana (PCdoB), o jornalista Casemiro Neto e instituições baianas, que enviaram coroas de flores.
A velório foi encerrado pouco depois das 16h, seguido de um cortejo até a sala onde a família seguiu com a despedida em um momento mais reservado.
Clarindo Silva, Tito Chase, sobrinho de Wanda, Carlinhos Brown e o Vovô do Ilê foram algumas das pessoas que carregaram o caixão com o corpo de Wanda Chase em direção à cerimônia de cremação, enquanto integrantes das bandas Olodum e Didá e o bloco afro Ilê Aiyê tocavam e cantavam.
Wanda Chase foi velada, nesta sexta-feira (4), sob forte comoção, em Salvador
Alan Oliveira/g1
Saiba quem era Wanda Chase
Wanda Chase se mudou para a Bahia em 1991 e trabalhou por 27 anos na TV Bahia, onde se consolidou como comunicadora e ativista do movimento negro.
Ela também trabalhou em veículos de comunicação como Rede Manchete, TV Cabo Branco e Rede Globo Nordeste. Também foi assessora de imprensa da banda Olodum. Por meio de nota, o grupo lamentou a morte da jornalista.
“A família Olodum lamenta profundamente a passagem de Wanda Chase, jornalista, mulher negra, militante do movimento negro e conselheira do Olodum. Nossos sentimentos à familiares e amigos nesse momento de pesar. 🖤”.
O bloco afro Ilê Aiyê também emitiu uma nota de pesar e destacou o trabalho de Wanda Chase na valorização da cultura e identidade negra do Brasil.
Após a aposentadoria, Wanda Chase se tornou colunista do portal iBahia e participou de um projeto de podcast. Neste ano, ela trabalhou na cobertura do carnaval para um veículo de comunicação.
Com 45 prêmios acumulados ao longo de mais de três décadas de atuação, a jornalista também é reconhecida por ter dado visibilidade à cultura baiana, especialmente às manifestações ligadas à cultura negra.
Em 2002, recebeu o Título de Cidadã Soteropolitana concedido pela Câmara Municipal de Salvador. Em março deste ano, receberia ainda o Título de Cidadã Baiana, pela Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). No entanto, a cerimônia foi adiada por causa dos problemas de saúde da jornalista.
A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) emitiu nota de pesar e destacou a importância de Wanda Chase para a cultura no estado. [Confira nota na íntegra ao final da matéria]
“Além de sua atuação como repórter, editora, colunista e apresentadora, Wanda Chase foi uma referência para a cultura baiana e uma militante incansável do movimento negro, lutando por mais visibilidade e inclusão para as comunidades afro-indígenas. Sua voz potente e sua coragem em abordar temas como racismo e desigualdade social a tornaram uma referência para as novas gerações de jornalistas e ativistas”, diz um trecho da nota.
O presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Rodrigues, lamentou a morte de Wanda Chase.
“Hoje, se despediu de nós, Wanda Chase, uma mulher negra, jornalista, militante do movimento negro, uma companheira incrível dessa jornada das nossas vidas, no Pelourinho, Olodum, blocos afros, na comunidade negra e comunicação. Ela vai deixar muitas saudades”, disse João Jorge.
Wanda Chase: com mais de 45 prêmios, jornalista morreu prestes a receber Título
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