Protestos na Turquia: Cerca de 1.900 pessoas foram detidas, diz ministro

A Turquia rejeitou nesta quinta-feira (27) declarações de líderes internacionais “preconceituosas” sobre a prisão do prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, e os protestos nacionais desencadeados por ela. Enquanto isso, autoridades detiveram 1.900 pessoas que participavam das manifestações.

Imamoglu, o maior rival político do presidente Recep Tayyip Erdoğan, está preso e aguarda julgamento por corrupção. A prisão provocou grandes protestos contra o governo em todo o país.

O ministro do Interior da Turquia, Ali Yerlikaya, disse que 1.879 pessoas foram detidas desde o início dos protestos na última quarta-feira (26), acrescentando que os tribunais prenderam 260 delas, aguardando julgamento.

Ele ressaltou que 489 foram libertadas e 662 outras ainda são processadas, enquanto 150 policiais ficaram feridos.

Grupos de direitos humanos pediram que a Turquia investigue o que eles chamaram de uso excessivo da força pela polícia ao dispersar multidões e pediram que o governo permita as manifestações, que têm sido amplamente pacíficas.

Os líderes ocidentais comentaram que o caso marca um retrocesso democrático.

O principal partido de oposição, o Partido Republicano do Povo (CHP), de Imamoglu, aliados, grupos de direitos humanos e potências ocidentais comentaram que o processo contra o prefeito — afastado do cargo devido ao caso — é um esforço politizado para eliminar uma possível ameaça eleitoral a Erdogan.

O governo nega qualquer influência sobre o Judiciário e afirma que os tribunais são independentes.

Em declaração à imprensa internacional em Istambul, o ministro da Justiça turco, Yilmaz Tunc, comunicou que o governo pediu a seus parceiros europeus que atuem com “bom senso”, acrescentando que a gravidade das alegações contra Imamoglu exige prisão.

“Não queremos a prisão de nenhum político, mas se houver provas de uma violação, isso pode acontecer”, afirmou Tunc.

“Se olharmos para a gravidade das alegações, e como há risco de que as provas possam ser ocultadas, o Judiciário tomou uma decisão razoável”, acrescentou.

O CHP disse aos turcos a continuarem protestando, afirmando que organizaria atos e reuniões em diferentes locais em Istambul e em outros lugares.

Erdogan classificou os protestos como um “show” e alertou sobre as consequências legais para os manifestantes.

Este conteúdo foi originalmente publicado em Protestos na Turquia: Cerca de 1.900 pessoas foram detidas, diz ministro no site CNN Brasil.

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