Rael pega ondas leves e vai para a pista em álbum que traz Ivete Sangalo, Mano Brown, Ludmilla, Marina Sena e FBC


Capa do álbum ‘Onda’, de Rael
Arte de Gut Design
♫ OPINIÃO SOBRE DISCO
Título: Onda
Artista: Rael
Cotação: ★ ★ ★
♬ A julgar pela audição do quinto álbum solo de estúdio de Rael, Onda, o rapper paulistano ainda sente os efeitos da calmaria de Capim-cidreira (2019), disco anterior no qual o artista, após vencer depressão, apostou em repertório pautado por boas vibrações.
Em Onda, o rapper sustenta a leveza de quem quer paz e amor, como o próprio Rael enfatiza ao apresentar o álbum lançado na quinta-feira passada, 20 de março. Em vez de ir para a guerra, Israel Feliciano vai para a pista neste disco dançante formatado com produção musical de Nave Beatz em colaboração com o próprio Rael.
A pista do rapper é animada com som evocativo dos bailes black dos anos 1970, como já sinalizaram os singles Na pista sem lei (2024) – gravado com os manos Rincon Sapiência e FBC – e Onda (Citação A Onda), tema que junta Rael com Mano Brown e o DJ Dom Filó com citação de música do pioneiro soulman brasileiro Cassiano (1943 – 2021). Só que o baile de Rael está longe de soar retrô e extrapola o universo black em que cabe um R&B contemporâneo como Na minha, gravado com Marina Sena.
Ao longo das 14 faixas do álbum, Rael vai na onda do pagodão baiano (Outro nível, em feat com Ivete Sangalo), sintetiza um afrobeat em Repara, recorre à batida padronizada do trio Los Brasileros (produtor da lovesong Suave), se junta com o duo Tropkillaz em Me deparei com a lua e mergulha na praia do reggae com alta dose de eletrônica na música Na minha cabeça, faixa amaciada com o toque da sanfona de Mestrinho.
Com excesso de feats, o álbum também traz Ludmilla em Vibe – mix de amapiano com house – e Luedji Luna no neo soul Meu iô iô, exemplo da sintética sensualidade recorrente no disco editado pela gravadora Laboratório Fantasma com capa que expõe arte de Gut Design.
Presente na já mencionada faixa Na minha cabeça, Mestrinho também figura em Saudade de lascar, música em que Rael expia a dor da saudade do pai sanfoneiro, morto em decorrência de covid-19.
Antenada com os dias de hoje, mesmo quando evoca sons do passado, a produção musical de Nave consegue a proeza de costurar com surpreendente unidade as múltiplas referências e gêneros de Onda, impedindo o álbum de se perder no ecletismo.
Nessa pista miscigenada, Rael sustenta tamanha diversidade porque, mesmo quando vai em ondas alheias, o rapper segue as batidas do próprio coração.
O rapper Rael lança o quinto álbum solo de estúdio, ‘Onda’
Vitor Cipriano / Divulgação
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