Pseudomonas: conheça a bactéria que decompõe embalagens plásticas e transforma em produtos biodegradáveis


Pesquisa foi feita por 15 pesquisadores de quatro diferentes universidades, entre elas, a Universidade de Sorocaba (Uniso). Bactéria é nociva aos seres humanos e pode produzir bioplástico responsável por substituir o plástico do petróleo. Pseudomonas: conheça a bactéria que decompõe embalagens plásticas e transforma em produtos biodegradáveis
Reprodução/TV Globo
Uma pesquisa descobriu que a pseudomonas, bactéria frequentemente encontrada em banheiros e outros locais úmidos, é uma personagem fundamental no aumento da sustentabilidade do planeta, sendo responsável pela transformação de plástico em material biodegradável. Mas afinal, o que é essa bactéria, como ela foi descoberta e do que ela se alimenta?
📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp
O estudo, publicado na revista Science of the Total Environment, especializada em ciência ambiental, envolve 15 pesquisadores da Universidade de Sorocaba (Uniso), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal do ABC (UFABC) de Santo André (SP) e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Fábio Squina, professor responsável pela pesquisa na Uniso, explica que a bactéria se alimenta do material, decompondo em pequenas partes químicas. Assim, ela consegue produzir substâncias que podem ser responsáveis pela substituição do plástico do petróleo.
“A bactéria tem a capacidade de usar o plástico de polietileno, presente nas sacolinhas e garrafas PET, como alimento. Ela degrada o plástico e decompõe em partes químicas, utilizando-os como fonte de desenvolvimento e produção de energia. Além disso, ela produz substâncias que são de interesse para a sociedade, como o bioplástico, que pode substituir o plástico de petróleo”, explica.
Tomografia mostra ‘tamanho da fome’ da bactéria
Reprodução/TV TEM
Para comprovar parte da pesquisa, foi feita uma tomografia que mostra o “tamanho da fome” da bactéria. No vídeo, é possível ver que a pseudomonas comeu 10% de uma embalagem plástica que demoraria, em média, mais de 400 anos para se decompor.
“A bactéria entra na superfície do plástico e faz a degradação. Assim, ela se alimenta daquela fonte carbônica e gera uma deformação no material, facilitando outras futuras degradações”, explica Denicezar Baldo, técnico responsável pelo laboratório.
Segundo o Programa da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Meio Ambiente (Pnuma), metade dos resíduos plásticos em todo o mundo vai diretamente para os aterros, ou seja, sem serem reciclados, enquanto apenas 22% vai para a natureza. O relatório da ONU ainda aponta que, até 2040, o volume pode triplicar.
Após cinco anos do estudo, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), os pesquisadores de Sorocaba (SP) e Campinas (SP) deram um passo à frente para reduzir uma das milhares de preocupações com o meio ambiente.
Pseudomonas se alimenta de plásticos presentes em garrafas e sacolinhas
Reprodução/TV TEM
O coordenador do Laboratório de Física e Processamento da Uniso, José Martins de Oliveira Júnior, conta que o trabalho pode ser muito interessante de ser desenvolvido. O ponto de vista científico é imprescindível, mas o olhar da sociedade é uma peça considerada fundamental.
“O esforço de se descobrir microrganismos que possam, de alguma forma, quebrar o plástico em moléculas menores, e transformá-lo em um material inerte, que agrida menos o meio ambiente, é um trabalho muito interessante de desenvolver. Não só do ponto de vista científico, mas para a sociedade como um todo”, comenta.
Para Squina, o próximo passo é testar o resultado da pesquisa em uma escala maior. “O futuro que estamos trabalhando agora é para melhorar a capacidade da bactéria em degradar plásticos mais resistentes e duráveis, eliminando o biopolímero e fazendo com que o processo vá para uma escala industrial”, finaliza.
Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí
VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM
Adicionar aos favoritos o Link permanente.