Na presidência dos Brics, Brasil quer ampliar acesso à energia elétrica

Na presidência dos Brics, o Brasil quer apresentar dois relatórios no setor energético. Um deve incluir soluções para a transição energética e implementação de combustíveis sustentáveis, enquanto o outro deve trazer sugestões para ampliar o acesso à energia elétrica como forma de combate à pobreza energética.

O Ministério de Minas e Energia (MME) participou nos dias 24 e 25 de fevereiro da primeira reunião de Energia dos Brics sob a presidência do Brasil.

De acordo com a assessora Especial do Ministro de Minas e Energia, Mariana Espécie, o relatório de acesso à energia elétrica deve apresentar soluções adotadas pelo Brasil, como o programa Luz para Todos, aos países membros dos Brics.

A ideia inicial é entender o estado de implementação de políticas públicas que cada país membro dos Brics tem desenvolvido para endereçar o combate à pobreza energética e como estão descarbonizando e implementando biocombustíveis na sua matriz energética.

“A nossa leitura é de que esse relatório possa ser um repositório de informações. Obviamente, cada país é quem vai ter o mandato de implementar as soluções dentro dos seus contextos específicos. A gente não tem esse poder de interferir ou de agir no sentido de indicar o que deve ser feito”, disse Mariana.

Mariana Espécie diz que o Brasil está conseguindo chegar a localidades remotas, onde não se vê as linhas de distribuição das concessionárias chegando propriamente, por meio de soluções descentralizadas, como placas solares, associadas a baterias para armazenamento da energia em momentos onde não tem fornecimento de luz solar.

Esse é um exemplo de estratégia que pode ser incluída no documento.

“A ideia do relatório é ser um repositório de políticas que podem ajudar vários desses países a enxergarem outros caminhos e mobilizar outros atores importantes dessa discussão, como bancos multilaterais e organismos mais voltados para filantropia”, afirma.

Outro tópico que deve estar presente nas discussões dos Brics é de que é possível conciliar transição energética com segurança energética.

Na avaliação do Ministério de Minas e Energia, são temas complementares.

Mariana afirma que parte considerável das tecnologias da transição energética ainda não tem capacidade de serem produzidas em larga escala, além de não apresentarem modelos amplamente financiáveis ou que atraiam investidores privados.

“No Brasil, a matriz elétrica é renovável, o sistema funciona, chega energia na casa das pessoas. Mas isso não significa que eventualmente eu tenha que lançar mão, por exemplo, de utilizar algum grau de combustível fóssil para garantir o suprimento em momentos em que há variação muito grande no fornecimento da energia elétrica que é gerada por parques eólicos ou painéis fotovoltaicos”, afirma.

Os Brics tem dez membros plenos: além de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, se uniram ao bloco o Irã, a Arábia Saudita, o Egito, a Etiópia e o Emirados Árabes Unidos.

Na última cúpula dos Brics, realizada em outubro de 2024, o bloco confirmou um convite para a adesão de mais 13 países: Turquia, Indonésia, Argélia, Belarus, Cuba, Bolívia, Malásia, Uzbequistão, Cazaquistão, Tailândia, Vietnã, Nigéria e Uganda.

A presidência do Brasil acaba no dia 31 de dezembro de 2025. A Cúpula dos Brics deste ano está programada para julho, no Rio de Janeiro.

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Este conteúdo foi originalmente publicado em Na presidência dos Brics, Brasil quer ampliar acesso à energia elétrica no site CNN Brasil.

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